segunda-feira, 15 de setembro de 2008

E tudo acaba bem mesmo

Você tem um pretérito perfeito particípio:
perfeitamente acompanhado,
maravilhosamente curtido,
devidamente preenchido.

De uma maneira completamente diferente, eis seu presente em tom crescente:
Maravilhosamente acompanhado
Perfeitamente preenchido
E devidamente curtido

Para quem não entendeu,
Deixo assim ficar: subentendido...

sábado, 13 de setembro de 2008

Literatura pra quê?

Ler romance. Assistir comédia romantica hollywoodiana. Só podia dar numa coisa:

Ela entra numa relação acreditando que ele é o principe encantado, aquele do cavalo branco, que veio salvá-la da solidão. Acredita que sua história será marcada pelo: e foram felizes para sempre.

Só que "O sempre, sempre acaba". E, neste momento, começam as cenas de novelas mexicanas. Ela tem vontade de sumir, ser levada para o não-sei-onde mais distante possível, junto com a sua dor.

Pensa, repensa. Lembra, relembra. Seu felizes para sempre não resistiu nem a quatro estações. Seu principe encantado será apenas lembranças de lindas histórias, sonhadas sozinha, que agora o vento levou.

De repente, não mais que de repente, no meio daquela dor. No momento em que ela está preste a sucumbir e se jogar na maior das dores aparece um "certo alguém", que a salva. A salva do modo dele.

Ele tem um sorriso aberto, rasgado e exagerado. Ele nem de longe parece um herói. Seu olhar é de uma criança, distante dos seus. Contudo, tem a convicção de um homem quando diz o que quer e que a quer.

Não vem com planos para futuro, nem grandiosas promessas, mas segura forte sua mão e não deixa que ela vacile nem tropece.

Ela não se sente nas nuvens com ele, mas não troca essa sensação deliciosa de pisar no chão por nada. Eles estão caminhando juntos. Ele não diz que vai ficar com ela para vida toda, mas se mostra tão feliz com a sua presença que ela se sente totalmente realizada, de um jeito que ela duvidaria se sentir novamente.

E o que falar desses momentos?

Eles podem ficar séculos conversando, as vezes não por palavras, mas olhares, gestos e toques. Também podem se beijar enquanto o mundo acaba que nem sentiriam, o que significa que seriam mesmo ótimos amantes. Mas eles preferem ser essa coisa sem nome, sem “grande” e sem sempre.

Eles nunca sabem quando é ou será a hora de ir embora. Mas a diferença é que ele é autêntico a ponto de jogar todas essas verdades sobre ela, porque sabe que ela não é uma criança, nem uma princesa, nem uma tonta. E que merece, no mínimo, que ele seja sincero ao máximo que possa ser.

Não é porque ela quer, que ele vai passar a mão sobre sua cabeça e dizer que tudo vai terminar bem. Mas ele sabe fazer isso exatamente no momento em que ela mais precisa.

Ele sabe tocá-la do jeito que ela mais gosta e surpreendê-la da maneira mais bonita. Ele não quer que ela seja perfeita e não tenta jogar um muro sobre suas incertezas, mas vai ao fundo tentar tirar a bala alojada, porque ele quer o que está lá dentro, não apenas as coisas agradáveis de se mirar.

Não dá para apagar o passado quando a gente quer e bem entende, mas por que deixar que ele te perturbe com lembranças hoje inúteis, e renegar essa felicidade tão sincera e surpreendente que te acomete nesse presente?

De repente, ela não precisa mais se esforçar para olhar para o que vive agora. Ela se pega completamente envolvida com esse presente e tudo fica tão mais fácil, bonito até.

Dá medo, mas é maravilhoso.

Ela dá aquela olhada para trás, mas a força maior está aqui. Diria que isso é aprender a se amar, a amar-se o que se é, agora, ou talvez a amar o sorriso dele e a maneira com que ele a abraça e estala suas costelas. Ou amar a praia, quando ele está com ela lá; ou amar a festa quando eles dançam juntos. Ou amar o tempinho livre quando eles podem se ver.

Tanto faz.
É sempre bom.