quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009

E ai, o que você fez de bom?

Mais um ano acabando.

Um ano bissexto.

Mais um dia a viver.

Mais um dia para rir.

Mais um dia para sofrer, crescer...


2008, um ano diferente.

2008, um ano com novas experiências

novos projetos, novos sentimentos, novas realizações.


Definitivamente, um excelente ano.

Em alguns momentos, a vida só precisa de um mar agitado para se acertar.

2009, que este seja apenas uma continuação do mar agitado.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Percursos

Como diz um pensamento adolescente:
"Cada pessoa que passa em nossa vida,
passa sozinha,
porque cada pessoa é única e para nós,
nenhuma substitui a outra.

Cada uma que passa em nossa vida,
passa sozinha,
mas não vai sozinha,
nem nos deixa a sós...

Leva um pouco de nós mesmos
e deixa um pouco de si mesma.
Há as que levam muito,
mas não há as que levam nada.
Há as que deixam muito,
mas não há as que deixam nada.

Esta é a mais bela responsabilidade de nossa vida:
a prova tremenda de que cada uma é importante
e de que ninguém se aproxima de outra por acaso."

Se isso é mesmo verdade, por que desejamos que algumas pessoas nunca tivessem aparecido em nossas vidas?

Conviver com algumas pessoas é, de fato, uma aprendizagem.

Mas será que ela não poderia ter ocorrido de forma menos dolorosa?

Amigos que não são amigos.
Familiares que não são familiares.
Amores que não são amores.
Tantas coisas que dizem ser alguma coisa.

Mas no fundo não são nada.
Viver é viver.

Mas será que viver também é aprender sofrendo?!

sábado, 13 de dezembro de 2008

Olhares

No mundo que gira, esbarrei com você.
Em meio a rotina agitada.
Saídas de felicidade constante.

Parei 1 minuto.
Parei 1 segundo.
No mundo que gira 1 minuto bastou.


Encontrei você.
Mudou-me.

Mudaram as saídas de felicidade.
Mudaram as fantasias.
Mudaram os olhares.
Mudaram os desejos.

Apenas seus olhares me interessam.
Apenas seus elogios são sinceros.
Apenas seus carinhos são esperados.
Apenas você me fará eternamente feliz.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Menina-Flor

Porque você é uma menina
com uma flor
e tem uma voz que não sai,
eu lhe prometo amor eterno,
salvo se você bater pino,
que aliás você não vai nunca
porque você acorda tarde,
tem um ar recuado
e gosta de brigadeiro:
quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor
e chorou na estação de Roma
porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris
e você ficou morrendo de pena delas partindo
assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.
E porque você quando sonha
que eu estou passando você para trás,
transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano
e implica comigo o dia inteiro
como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar.

E porque quando você começou a gostar de mim
procurava saber por todos os modos
com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor,
se vestindo parecido.
E porque você tem um rosto que está sempre num nicho,
mesmo quando põe o cabelo para cima,
como uma santa moderna,
e anda lento,
a fala em 33 rotações
mas sem ficar chata.
E porque você é uma menina com uma flor,
eu lhe predigo muitos anos de felicidade,
pelo menos até eu ficar velho:
mas só quando eu der aquela paradinha marota
para olhar para trás,
aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor
e tem um andar de pajem medieval;
e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz,
e você desafina lindo
e logo conserta,
e às vezes acorda no meio da noite
e fica cantando feito uma maluca.
E porque você tem um ursinho chamado Nounouse
e fala mal de mim para ele,
e ele escuta mas não concorda
porque é muito meu chapa,
e quando você se sente perdida
e sozinha no mundo
você se deita agarrada com ele
e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho.

E porque você é uma menina
que não pisca nunca
e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação,
e você é capaz de ficar me olhando horas.
E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça,
e quando eu olho você muito tempo
você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.

E porque você é uma menina com uma flor
e cativou meu coração e adora purê de batata,
eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor,
eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho,
como nesse último mês em Paris;
fica tudo uma rua silenciosa
e escura que não vai dar em lugar nenhum;
os móveis ficam parados me olhando com pena;
é um vazio tão grande
que as outras mulheres nem ousam me amar
porque dariam tudo para ter um poeta pensando assim por elas,
a mão no queixo,
a perna cruzada triste
e aquele olhar que não vê.

E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço,
eu escrevi uma canção tão bonita para você,
"Minha namorada",
a fim de que, quando eu morrer,
você se por acaso não morrer também,
fique deitadinha abraçada com Nounouse,
cantando sem voz aquele pedaço
em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira,
minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor
e eu estou vendo você subir agora
– tão purinha entre as marias-sem-vergonha –
a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas
pela mão presciente de Guignard;
e o meu coração,
como quando você me disse que me amava,
põe-se a bater cada vez mais depressa.

E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço,
e o mato à nossa volta se faz murmuroso
e se enche de vaga-lumes
enquanto a noite desce com seus segredos,
suas mortes, seus espantos.
Eu sei, ah, eu sei
que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive,
e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei;
e que todas as mulheres que eu amei,
como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno,
foram passando você de mão em mão,
de mão em mão até mim,
cuspindo no seu rosto
e enfeitando a sua fronte de grinaldas;
foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações –
porque você é linda,
porque você é meiga e sobretudo
porque você é uma menina com uma flor.

Na verdade continuo sob a mesma condição: distraindo a verdade e enganando o coração.

Esse texto não é meu, mas bem que eu queria que fosse.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Falas dos outros

Achei uns pensamentos que vão guiar o meu 2009.

O que importa é o agora.

É difícil ser firme quando se está vulnerável.
Amar também é nunca se sentir preparado
e mesmo assim continuar porque continuar é o que nos faz crescer.

Nelson Rodrigues dizia que
convalescer é o que faz a doença valer a pena.
Acredito que deixar o amor convalescer
e andar para frente é o que faz a vida valer a pena.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Dúvidas

Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio:
quando se conhece o fim,
quando se sabe que doerá muito mais
-por que ir em frente?

Não há sentido:
melhor escapar deixando uma lembrança qualquer,
lenço esquecido numa gaveta,
camisa jogada na cadeira,
uma fotografia –
qualquer coisa que depois de muito tempo
a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.

Melhor do que não sobrar nada,
e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

Eu prefiro viver a ilusão do quase,
quando estou "quase" certa
que desistindo naquele momento
vou levar comigo uma coisa bonita.

Quando eu "quase" tenho certeza
que insistir naquilo vai me fazer sofrer,
que insistir em algo ou alguém
pode não terminar da melhor maneira,
que pode não ser do jeito que eu queria que fosse,
eu jogo tudo pro alto,
sem arrependimentos futuros!

Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo,
que com a certeza de ter acabado em dor.

Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!

É uma compulsão horrível
de quebrar imediatamente qualquer relação bonita
que mal comece a acontecer.

Destruir antes que cresça.
Com requintes,
com sofreguidão,
com textos que me vêm prontos
e faces que se sobrepõem às outras.

Para que não me firam, minto.
E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir,
sem prestar atenção se estou ferindo o outro também.
Não queria fazer mal a você.
Não queria que você chorasse.
Não queria cobrar absolutamente nada.
Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem?
Sem que se consiga controlar...

(Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Impulso para baixo

"Hoje renuncio aos meus vícios e explosões, aos meus calos e emoções.
Hoje renuncio a você, que insiste em me denunciar e me derrubar.
Renuncio à necessidade de estar perto, porque não preciso disso... mesmo.
Renuncio aos joguetes, às renúncias, às expectativas e às tentativas.

Vou passar um trator sobre a frustração de cada dia.
Sem escutar por trás da porta o que poderia ter sido.
Não quero mais saber de ter que explicar o que não sei
E a sempre querer conversar para ter que me sentir em um monólogo...
Sinceramente, você me emperra.

Então, não espere que eu enfrente suas metonímias
Ou invente precocemente meu epitáfio
Que eu caia em sua retórica por não ter respostas na língua
Ou que eu te ligue, sem ter o que dizer
Já falamos mais do que deveríamos
Não que eu me comporte às regras
Não como você

Já chega de reformas
De reconstruções
Reformulações
Restrições
E restos

Se você não pode fazer com que eu me sinta melhor do que me sinto quando estou sozinha,
Não há motivo algum para estarmos juntos."

As vezes, as palavras alheias dizem tudo que eu queria dizer"

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A gente se acostuma

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos

e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.

E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.

E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.

E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.

A tomar o café correndo porque está atrasado.

A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.

A comer sanduiche porque não dá para almoçar.

A sair do trabalho porque já é noite.

A cochilar no ônibus porque está cansado.

A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.

A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.

A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.

E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a pagar mais do que as coisas valem.

E a saber que cada vez pagará mais.

E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma à poluição.

Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.

À luz artificial de ligeiro tremor.

Ao choque que os olhos levam na luz natural.

Às bactérias de água potável.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.

Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.

Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.

Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.

E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.

Marina Colassanti

terça-feira, 2 de dezembro de 2008



E, por que queremos tanto mudar os outros?!

Se nos apaixonamos por ele assim que o vimos.

Deviamos aceitar tudo.

TUDO

O olhar caminhoso.

As palavras singelas.

O cuidado com os nosso sentimento.

TUDO

A preguiça em excesso.

A enrolação com horários.

A difículdade de aceitar a liberdade.

TUDO