sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O que eu sinto

Cresceu na zona sul do Rio de Janeiro, num dos melhores bairros da região.
Mas vivia em uma outra realidade.
Filha de pais nordesttinos. Vieram para o Rio muito novos para trabalhar e aqui se conheceram.
Trabalhara e trabalham muito.
Não tem o primeiro grau completo. Mas o puderam dar para os filhos que tem, ou estão terminando, o ensino superior e cursos de especialização.

Essa foi a minha realidade!
Por muitos anos, a menina que cresceu na zona sul do Rio, cresceu como se esse fosse de fato o ambiente dela. Afinal, ela não conhecia os demais lugares. Nada foi feito longe dos arredores de casa.

Estudou em lugares em que a realidade se reafirmava com alguns detalhes.
O curso de inglês só mantinha a ideia da zona sul.
Mas o Pedro II.
Acho que foi ai que tudo mudou.
A adolescente começou a perceber que apesar de ter tudo, não podia ter tudo.
Começou a perceber que ela teria mais que os pais, mas pou causa deles.

O tempo passou, ela cresceu e começou a se deslocar mais pelo Rio, da zona sul a zona norte.
Começou a perceber a diferença em muitos lugares.
Hoje, esse mulher chora ao pegar um onibus cheio e vê um pai de família (parecido com pai dela) mais duas crianças pequenas em pé, esmagadas pelas pessoas.
Ela sente que ele não precisaria passar por isso.
Ela pensa pelo que o pai dela não passou enquanto trabalhava de vigia na zona sul e morava na zona norte e voltava de onibus e cheio de bolsas de supermercado.
As lágrimas rolam também ao ver o trocador com uma deficiencia em um braço e trabalha no calor, por horas e aturando pessoas mal-educadas!

Ela se pergunta por que há tanta diferença.
Ela queria poder fazer alguma coisa.
Mas não sabe o que.

Ela só sabe que sente e não quer parar de sentir.
Só assim a sua luta para melhorar não vai ser sem olhar pros outros, pra ajudar os outros!

Acho que essa menina precisa agradecer muito aos seus pais!
Tanto pelas oportunidades materiais que a ofereceram.
Tanto por ter formado alguém com sentimentos.

Acho que essa menina-mulher precisa fazer um trabalho voluntario.

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